A psiquiatria no mundo contemporâneo.
O ser humano, mesmo em períodos anteriores à invenção da escrita, já procurava compreender as peculiaridades do seu comportamento. Os doentes mentais eram frequentemente torturados, temidos ou mesmo discriminados pelos indivíduos considerados normais. Não raro as doenças eram atribuídas a influências malignas sobrenaturais. Não existia separação entre o sofrimento físico e o mental, nem tampouco entre medicina, religião e magia.
No século XVII, quando o raciocínio indutivo se aliou ao julgamento intuitivo, a doença mental, gradativamente, desvinculou-se do misticismo e da religião. Nessa ocasião, a psiquiatria começou a caracterizar-se como um ramo da medicina.
Empirismo, racionalismo, observação e classificação marcaram o período do Iluminismo – século XVIII –, possibilitando um maior entendimento dos distúrbios psiquiátricos, assim como a busca de um contato mais humano com os portadores de insanidade mental.
Nesse período, loucos, criminosos, prostitutas e vagabundos eram trancados em asilos, onde vigorava um sistema repressivo.
No início do século XIX, Johann Reil (1759-1813) foi o primeiro a usar o termo psiquiatria, referindo-se ao tratamento da mente. Posteriormente, já em meados desse século, a psiquiatria firmou-se como especialidade, ganhando orientação científica e acadêmica.
Como podemos perceber, há muito tempo estamos num período propicio para discutir a importância da psiquiatria no mundo contemporâneo. Por isso, a ABP elegeu como tema do XXXI CBP, que será realizado de 23 a 26 de outubro de 2013, em Curitiba/PR, Contribuição da Psiquiatria para o desenvolvimento da Medicina.
Considerado o maior da especialidade e um dos mais importantes em todo o mundo, o XXXI CBP vai reeditar o formato sociedade-academicismo. Ele privilegia os projetos institucionais da ABP e a meta de fortalecer o conhecimento científico e a defesa do psiquiatra e da psiquiatria.
Estarão presentes em Curitiba personalidades que apoiam os projetos A Sociedade contra o Preconceito, Psicofobia é um Crime, além do Craque que é Craque não usa Crack.
Na área acadêmica, psiquiatras das mais diversas correntes de pensamento e formação participarão das mais diversas atividades – sessões “Como eu Trato” e “Como eu Faço”, cursos, debates, mesas redondas – com o objetivo de fomentar o conhecimento e disseminar a informação aos congressistas.
A construção de um evento como o Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que reúne mais de 6 mil congressistas, é um processo marcado pela efervescência de ideias. Para alinhar estas posições e atender ao universo dos psiquiatras, a ABP age sempre sob a égide da democracia e da transparência, convidando os associados a participar da elaboração do programa científico mandando sugestões de temas e mesas redondas.
E, além de conclamar a todos a contribuir para a elaboração do programa científico, a ABP convoca os associados participar do Congresso e ajudar a tornar o XXXI CBP um marco de interação e exemplo de como a psiquiatria pode ajudar a tornar a sociedade brasileira mais justa e igualitária.
Até breve. Até Curitiba.
Antonio Geraldo da Silva
Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria



