Desafios da rede de saúde mental

Cerca de cem pessoas participaram, na manhã desta quarta-feira (10/10), da mesa-redonda “Emergências psiquiátricas e articulação com a saúde mental”. A Dra. Eunice Rodrigues Garbeloti, de Mato Grosso do Sul, coordenou a mesa.

O primeiro relator a expor foi o Dr. Sérgio Louzada, do Rio Grande do Sul. Ele falou sobre os avanços na estruturação da emergência psiquiátrica em Porto Alegre.

Sobre o retrato das emergências psiquiátricas no município de São Paulo falou o Dr. Teng Chei Tung. Para ele, é importante que o psiquiatra esteja consciente de seu papel e atuante. Segundo o Dr. Tung, é preciso desenvolver diretrizes e padronizações oficiais de atendimento, de modo a garantir que os colegiados municipais recorram a essas diretrizes. “Um padrão é importante para que as pessoas consigam, com mais facilidade, se posicionar tecnicamente”, disse.

Sobre as estratégias e dificuldades junto à gestão pública para viabilizar a implantação de emergências psiquiátricas no Brasil falou o Dr. Sérgio Tamai, de São Paulo. Ele afirmou que o ideal é que todo grande serviço de urgência municipal ou regional tenha, em seu corpo clínico, psiquiatra 24 horas e leitos de observação preparados para acolher o paciente por, ao menos, 48 horas.

Entre os desafios do atendimento psiquiátrico citados por Dr. Tamai está a recusa de transporte pelo SAMU, os prontos-socorros lotados e a precariedade do atendimento. O grande problema, para ele, é a falta de ambulatórios. “Eles foram banidos e demonizados da mesma forma que os hospitais psiquiátricos”, afirmou.

Em seguida, os microfones foram abertos à participação do público. A congressista Ivone, de Limeira, no interior de São Paulo, relatou que há, na cidade, nove leitos psiquiátricos, além do atendimento de pronto-socorro. Ela reclamou do fato de o trabalho psiquiátrico não ser coordenado por pessoas com conhecimento de causa. Segundo Ivone, há uma determinação em Limeira para que o paciente psiquiátrico só fique internado por 14 dias. “Não há prazo para tratamento de câncer, de aids e outras doenças. Por que tem de haver para as doenças mentais?”, questionou.

O congressista Vladimir, coordenador-clínico de um CAPs de São Paulo, relatou problemas na administração do local. Segundo ele, o CAPs está tendo de fazer atendimentos distintos da função originária do órgão, o que acaba fazendo com que ele não consiga atender a comunidade como deveria.

Já o congressista Felipe Teodoro, coordenador do único serviço de urgência psiquiátrica de Natal, disse que achava que os problemas enfrentados na capital potiguar eram apenas locais, mas que, após a experiência na mesa-redonda, chegou à conclusão que os problemas são nacionais, de falta de financiamento, medicamentos, atenção, rede assistencial etc. “O problema está na política nacional”, concluiu.

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