Itiro Shirakawa defende uso de medicamentos para tratar doenças mentais

“Não foi nenhum acontecimento social ou cultural que fez com que os hospitais psiquiátricos fossem esvaziados, mas sim o uso de medicamentos”. A afirmação foi feita pelo Dr. Itiro Shirakawa, vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, durante a atividade “Como eu trato esquizofrenia”, na tarde desta sexta-feira (4), no XXIX CBP. Segundo o Dr. Itiro, a medicação é fundamental para que o paciente que sofre de esquizofrenia não tenha recaídas.

O médico falou, em sua apresentação, sobre o uso de medicamentos, os efeitos esperados e os efeitos colaterais e fez recomendações aos congressistas sobre as dosagens medicamentosas.

Outro assunto tratado pelo Dr. Itiro Shirakawa foi a transformação dos Caps (Centros de Assistência Psicossocial) em única opção de acompanhamento psiquiátrico para pacientes da rede pública, após o fim dos leitos psiquiátricos. Para Itiro Shirakawa, a partir daí, “voltou-se àquele tempo em que os doentes mentais tinham de ficar trancados em casa. E, então, vimos surgir casos em São Paulo, por exemplo, como o do rapaz que matou o cartunista Glauco ou o outro que pegou uma faca na prateleira do supermercado e matou o velhinho que estava atrás dele, por achar que estava sendo perseguido”.

Itiro Shirakawa afirmou que foi para lutar por mudanças no atendimento do doente mental que ele aceitou formar uma chapa como vice-presidente e  disputar a direção da ABP.

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2 respostas para Itiro Shirakawa defende uso de medicamentos para tratar doenças mentais

  1. Maria Cristina Gomes de Proença 4 de novembro de 2011 at 21:21 #

    Tenho o maior respeito e admiração pelo Dr. Itiro Shirakawa, mas não acredito que a Saúde Mental no Brasil vá apresentar alguma melhora enquanto não houver investimento de fato.
    Os Caps (Centros de Assistência Psicossocial), gerados após a Reforma Psiquiátrica e classificados como I, II e III, sendo que este se destina a acompanhar os casos graves tanto de esquizofrenias, como outros transtornos, não atendem a demanda.Ora falta psiquiatra, ora faltam medicamentos e isso compromete o tratamento do paciente.
    Em São Paulo, maior cidade do Brasil, os Caps III não dão o suporte necessário para aqueles que o procuram.Assim , o portador é obrigado a recorrer aos dispensários de medicação de alto custo e enfrentar a burocracia para obter medicamento essencial.
    Eu acredito que é preciso repensar o modelo de assistência mental que temos hoje, pois o país é continental e há municípios em vários estados que nem mesmo existem Caps.

  2. rose 6 de novembro de 2011 at 14:28 #

    Cuidados psicosociais são tão indispensáveis quanto a medicação e internação.

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