Ruy Castro fala sobre estrelas vítimas do alcoolismo

O segundo dia do XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria começou com uma conversa com o jornalista e escritor Ruy Castro, vencedor de quatro prêmios Jabuti, entre eles, pelos livros “Estrela Solitária”, sobre a vida do jogador Mané Garrincha, e “Carmem”, biografia de Carmem Miranda. A conversa fez parte das atividades da campanha “A Sociedade Contra o Preconceito”, lançada nesta quarta-feira (2).

Além de contar histórias da vida de Mané Garrincha e Carmem Miranda, Ruy Castro falou sobre a sua experiência pessoal com o alcoolismo. Sem beber há 23 anos, o jornalista afirmou que não teve motivos especiais que o levaram ao vício e negou que tivesse sido influenciado por amigos. “Aos 19 anos, eu comecei a trabalhar num jornal e conheci pessoas mais velhas, que bebiam uísque. Como eu tinha condições de comprar quantas garrafas quisesse, comecei a beber”.

A experiência pessoal despertou o interesse pela vida de pessoas que passaram pelo mesmo problema. Sobre Mané Garrincha, ao autor afirmou que o contato do jogador com a bebida começou muito antes da fama, “antes mesmo dele nascer”. Mané Garrincha se destacou no Botafogo e viveu seu auge futebolístico entre os anos de 1964 e 1972. Depois desse período, foi encontrado várias vezes embriagado nas ruas e levado para clínicas, que, segundo Ruy Castro, não estavam preparadas para lidar com o problema. “Depois de três dias numa clínica, ele recebia alta e voltava para as ruas, para beber. Garrincha era uma figura notória e as pessoas começaram a identificar ele como perdedor, como alguém que deveria ser descartado. Todos os estigmas do alcoolismo foram aplicados ao Garrincha”, afirmou. Garrincha morreu em 1982, pobre e sem prestígio.

Sempre identificada pela cesta de frutas que levava na cabeça, Carmem Miranda teve carreira de sucesso no Brasil e nos Estados Unidos. Apesar disso, os problemas da cantora com álcool eram menos comentados, segundo Ruy Castro. Além de enfrentar o alcoolismo, Carmem também tomava medicamentos controlados e os dois vícios foram mais tarde apontados como possíveis causas de sua precoce morte, aos 46 anos, em agosto de 1955. “Ela estava deslumbrada com o sucesso. Era um sucesso num grau que ela nuca havia imaginado. E, deslumbrada, ela aceitava tudo. Numa hora dessas, foram oferecidos remédios para diferentes situações. Medicamentos sobre os quais não havia estudos suficientes, não tinham eficácia comprovada. Carmem Miranda e muitos outros artistas foram usados como cobaias desses remédios”. Depois da dependência química e de uma profunda depressão, a cantora passou a fazer uso excessivo de álcool. “E a dependência do álcool aconteceu de forma galopante”, afirmou. Carmem foi vítima de um enfarto, depois de uma apresentação nos Estados Unidos.

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