Tratamento de usuários de crack no XXX CBP

A manhã desta quinta-feira (11/10) no XXX Congresso Brasileiro de Psiquiatria começou com 14 atividades simultâneas, no Centro de Convenções de Natal. Uma das salas mais concorridas foi a comandada pelo doutor em medicina psiquiátrica e pesquisador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, serviço ligado ao Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, Marcelo Ribeiro, que falou para cerca de 700 pessoas sobre como tratar usuários de crack.

Segundo o especialista em dependência química, o uso de crack se expandiu bastante no Brasil, nos últimos 15 anos, e como este é um fenômeno novo ainda não há protocolos de atendimento bem estabelecidos.

Um estudo sobre usuários de crack feito por Marcelo Ribeiro mostrou que uma parcela considerável daqueles que utilizaram alguma forma de cocaína na vida fechou critérios de dependência. “É uma substância que, cada vez mais, vem demandando e vai demandar mais dos nossos serviços e da nossa prática clínica”, afirmou.

Tratamento

O crack, segundo Marcelo Ribeiro, está presente atualmente em mais de 50 países. A droga acomete indivíduos com perfil psicossocial mais grave e provoca maior risco de dependência.

Entre os elementos fundamentais para a boa prática no tratamento de usuários de crack, o pesquisador afirmou que é preciso que haja um plano de tratamento estruturado, com intervenções psicossociais – não apenas tratamento psiquiátrico e farmacológico. Também é  necessário que haja um monitoramento, com teste de drogas, e gerenciamento do caso. Para o pesquisador, “o paciente de crack é um paciente na UTI no sentido de que ele precisa de um tratamento intensivo, multiprofissional e de evolução instável”.

Pesquisa

Antes da sessão com Marcelo Ribeiro, o professor titular do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, diretor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas (INPAD) do CNPq e coordenador da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas (UNIAD), Ronaldo Laranjeira, apresentou aos congressistas dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas: o uso de cocaína e crack no Brasil.

Foram entrevistadas 4607 pessoas, com 14 anos ou mais de idade, em 149 municípios, numa das mais representativas pesquisas sobre o assunto. O estudo aponta que quase 6 milhões de brasileiros já experimentaram alguma apresentação de cocaína na vida. No último ano, a prevalência de uso dessa droga atingiu mais de 2,8 milhões de pessoas, entre esses, 244 mil adolescentes.

O levantamento ainda mostra que aproximadamente 2 milhões de brasileiros já usou cocaína fumada (crack, merla e/ou oxi) pelo menos uma vez na vida. Outro dado extremamente preocupante, extraído dessa pesquisa, mostra que pelo menos um milhão de pessoas fumou crack no último ano.

A pesquisa aponta que 70% dos usuários de cocaína também usam maconha e que 41% dos usuários de maconha usam cocaína. Sobre a idade em que se começa a usar maconha e cocaína, o estudo mostra que 62% dos usuários de maconha começaram antes dos 18 anos, percentual que chega a 45% entre os usuários de cocaína.

Segundo Ronaldo Laranjeira, o Brasil é o segundo maior mercado de cocaína do mundo, só perdendo para os Estados Unidos. Ele destacou que o país consome mais cocaína que toda a América do Sul junto.

Em relação à distribuição dos usuários de cocaína pelas regiões brasileiras, o pesquisador apontou que 46% dos usuários estão na região Sudeste. Na região Nordeste, estão 27% dos consumidores.

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