O desafio do combate ao crack

O Brasil passa por uma epidemia de consumo de crack, na opinião do psiquiatra Ronaldo Laranjeira. O médico participou, na tarde desta sexta-feira (4), de atividade especial sobre as políticas públicas para o tratamento dos dependentes de crack, durante o XXIX CBP. “Há dez anos, você não tinha crack a não ser em uma região de São Paulo. Hoje, você tem crack de leste a oeste, de norte a sul do país. Do ponto de vista médico, nós temos uma epidemia de crack que atinge o Brasil inteiro”,afirmou Dr. Laranjeira.

A explicação para a epidemia, segundo Ronaldo Laranjeira, pode estar no fato de o Brasil ser vizinhos dos três únicos países fabricantes de cocaína do mundo: Colômbia, Bolívia e Peru. A droga vinda desses países, na opinião do médico, chega ao Brasil a um custo muito baixo e sem controle. Esse fato levou à criação de uma rede de distribuição de drogas nas pequenas e médias cidades. “São pessoas que não faziam esse tipo de distribuição. É o dono do bar, o motorista de taxi, a dona de casa. É um perfil muito distinto e que se ampliou nos últimos anos. Essa rede é uma herança que estamos deixando para a próxima geração de brasileiros”. Na avaliação do médico, o grande desafio agora é como desmontar essa rede.

Ronaldo Laranjeira destacou que um fato positivo do Brasil, construído nos últimos dez anos, que é o crescimento econômico, pode agravar a questão do consumo de drogas. “Os lugares onde mais se consomem drogas no mundo são os países desenvolvidos. Então, à medida que o Brasil se desenvolve economicamente, o problema das drogas deve piorar”.

De acordo com o médico, dos quatro milhões de pessoas que passando por tratamentos contra o uso de drogas no mundo, 2,5 milhões estão nos Estados Unidos. “O sistema de tratamento lá é bastante vigoroso. Os planos de saúde, o governo e a comunidade pagam os tratamentos. Há movimentação muito vigorosa e a maioria dos tratamentos é baseado em evidencias”, relatou.

No Brasil, os governantes falham em não perceber que o crack tem uma dinâmica própria, segundo Laranjeira. Para ele, é preciso estabelecer uma vertente político-diplomática com Colômbia, Peru e Bolívia a fim de que se diminua a produção de coca nesses países.

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Uma resposta para O desafio do combate ao crack

  1. rose 7 de novembro de 2011 at 12:58 #

    EXCELENTE CAMPANHA! PARABÉNS ABP E ORGANIZADORES.

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