Profissionais discutem prós e contras da maconha


O auditório Genipabu ficou lotado na tarde desta quinta-feira, durante o XXX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Cerca de 400 congressistas participaram da mesa redonda que tratou de mitos e verdades sobre o uso de maconha.
Escalado para falar sobre porque a maconha faz bem, o psiquiatra Antônio Waldo Zuardi destacou que a planta tem múltiplos usos: o caule serve para a produção de fibra; o fruto, como alimento e grão; e a resina pode ser utilizada na fabricação de medicamentos.

Ele fez um breve relato da história do produto e observou que o grande aumento no interesse pelo estudo da planta foi acompanhado do aumento de pesquisas sobre efeitos terapêuticos de maconha.

Segundo o pesquisador, foram encontradas evidências de efeitos terapêuticos significativos em ensaios clínicos controlados: anti-emético, estimulante do apetite, analgésico, miorrelaxante. Esses estudos, explicou, se restringem basicamente ao THC – principal princípio ativo da maconha.

Estudos também indicam utilidade terapêutica da maconha em pacientes com esquizofrenia e Parkson, que apresentavam sinais de psicose. Segundo o professor, “a terapia com cannabidiol resultou numa redução significativa de sintomas durante o período de tratamento”.

Efeitos negativos
“O Veneno está na dose”. Com essa frase de Paracelso, dita no século XVI, o professor associado da Faculdade de medicina de Botucatu (SP), José Manoel Bertolote, falou sobre os efeitos negativos da maconha.

Segundo o pesquisador, grande parte da relação que temos com a maconha vem de um pensamento calvinista que diz que “tudo que causa prazer é pecado, e o pecado tem que ser proibido”.

A maconha, ressaltou o professor, é uma planta com uma quantidade enorme de substâncias psicoativas e ela faz mal dependendo da dose e de quem fuma. “Faz mal para o cérebro, para a cabeça de alguns e para a economia de muitos”, disse.

José Manoel Bertolote rebateu possíveis consequências psiquiátricas provocadas pelo uso crônico da maconha. Segundo o estudioso, publicação da OMS, de 1988, afirma que não há nenhuma evidência que de a maconha provoque síndrome amotivacional.

Quanto à característica de dependência, de acordo com o professor, o potencial da maconha de causar dependência é muito baixo. Em uma escala de substâncias que provocam dependência, a maconha está no final da lista, só perdendo para o LSD. Bertolote destacou que o potencial de dependência da droga é menor que cafeína, nicotina e álcool.
Sobre transtornos psicóticos, o professor afirmou que a literatura está dividida igualmente a favor e contra o uso da maconha.

Outro argumento contrário ao uso da maconha diz que ela é “porta de entrada” para outras drogas. Mais uma vez, o professor Bertolote rebateu dizendo que a maior porta de entrada é o álcool, depois vem tabaco, solventes, anfetamínicos, sedativos, crack, para depois vir a maconha.

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